Pesticidas: bandido ou mocinho?

angela

De tempos em tempos, aparecem notícias alarmantes sobre os perigos dos produtos químicos usados em larga escala nas lavouras para acabar com ervas daninhas e insetos. Para tentar obter dados sobre como essas substâncias podem ser prejudiciais ao homem, os pesquisadores Caitlin Schultz e Richard Ferraro, da Universidade de Dakota do Norte, fizeram um estudo para avaliar o impacto da exposição crônica aos pesticidas nas funções neuropsicológicas.

A literatura da área aponta pelo menos dois alertas importantes, no que diz respeito à exposição prolongada a essas substâncias: (1) há impacto em alguns aspectos da capacidade cognitiva, em especial na velocidade de processamento de informação e (2) uma potencial aceleração do envelhecimento.

Para conferir a validade destas afirmações, os pesquisadores aplicaram um conjunto de sete testes em dois grupos de indivíduos, com objetivos avaliar se havia alguma diferença entre eles em suas funções cognitivas: um grupo composto por dezoito trabalhadores rurais que manipulavam pesticidas na sua ocupação profissional e outro grupo com trinta e cinco participantes que exerciam outro tipo de atividade, ou seja, nunca haviam realizado qualquer tipo de trabalho agrícola que envolvesse alguma exposição aos pesticidas. Os autores tiveram como parâmetro para definir o que foi considerado uma exposição crônica aos pesticidas, estar em contato com o produto por pelo menos três dias consecutivos de trabalho. Ambos os grupos foram compostos por homens e mulheres, por volta dos 50 anos de idade e tempo de escolarização em média de quatorze anos.

Os testes realizados pelos participantes foram: Escala de depressão em idosos (Geriatric Depression Scale-Short Form); Inventário de ansiedade (State-Trait Anxiety Invetory); Teste de Nomeação de Boston (Boston Naming Test – Short Form); Exame do Estado Mental (Mini-Mental Statu Exam) e três subtestes da Escala de Inteligência Wechsler para adultos – WAIS (Wechsler Adult Intelligence Scale) – teste de vocabulário, procurar símbolos e teste de memória, além de questões para caracterização dos participantes tais como idade, escolaridade, etc (Demographic survey).

A partir dos resultados dos testes, foram feitas algumas análises estatísticas de variância e correlações entre os dados dos dois grupos para determinar se havia diferença significativa entre eles. Os trabalhadores não rurais tiveram um desempenho melhor que os trabalhadores rurais apenas na tarefa de Procurar Símbolos.

Embora os próprios autores reconheçam as limitações dos estudos, como por exemplo, a pequena amostra de participantes, os pesquisadores ainda não tem um consenso sobre os reais danos causados por estas substâncias, uma vez que a literatura da área apresenta dados bastante controversos.

Sem dúvida, esta parece ser uma questão que merece nossa atenção principalmente para buscar formas alternativas de controle de pragas, sem que isso possa causar danos ao homem ou mesmo para evitar prejuízos ambientais. Mas a pergunta que não quer calar é: e nós, consumidores, ainda estaríamos salvos?

Quer saber mais?

 

Schutz, C. G.; Ferraro, F. R. (2013). The impact of chronic pesticide expore on neuropsychological funtioning. The Psychological Record, 63, 175-184.

Postado por Angela B. de Lorena, doutoranda do Programa e Pós-graduação em Psicologia da UFSCar. Bolsista CAPES.

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