Vamos jogar ou estudar? Estratégias para melhorar o desempenho acadêmico de universitários

games and study

Todo fim de semestre é assim: depois do desespero para fazer as leituras a tempo para as provas, você promete que no próximo semestre estudará um pouco a cada semana, desde o início. Mas no semestre seguinte, você percebe que aquilo não passou de uma promessa. Tudo o que você queria era uma fórmula mágica que te motivasse a estudar. Mas será que isso já não existe?

Se é uma fórmula mágica ou não, eu não sei dizer, mas que há uma maneira que pode te motivar a estudar semanalmente, certamente há! Pelo menos é o que diz os resultados de uma pesquisa que descobriu que atividades em forma de jogos, envolvendo a formulação de perguntas e respostas pelos próprios estudantes melhoraram os seus desempenhos em testes subsequentes.

Nancy Neef e seus pesquisadores colaboradores, da Ohio State University verificaram que, dos oito alunos que participaram de um jogo no qual um grupo fazia perguntas para o outro responder, e vice-versa, sete acertaram um número significativamente maior de questões do que quando a forma de estudo não envolvia o jogo. Os autores comentaram, inclusive, que essa diferença é o equivalente a mudança de um conceito (se os participantes do jogo conseguissem um “A”, por exemplo, o grupo sem jogo conseguiria um “B”). E não foi só isso! A pesquisa durou oito semanas, e os resultados mostraram que os universitários que participaram do jogo tiveram desempenhos maiores do que quem estava na condição de não jogo em quase todas as semanas. Agora imagine quanto tempo eles passaram jogando para obter desempenhos tão altos. Seis horas semanais? Quatro? Não! Foram apenas 20 minutos por semana!!!

Descobrir estratégias que facilitem o estudo, nos motivem a rever os materiais e consigam nos manter estudando ao longo de uma disciplina ou curso são fundamentais para facilitar a vida dos estudantes, aumentando a motivação e diminuindo o caráter aversivo do estudar. Estudando um pouco por vez, os alunos não precisarão lidar com grande parte do material dias antes das provas, o que costuma gerar bastante ansiedade, além de poder tirar as dúvidas com os professores a cada unidade estudada, e ter consciência sobre quais conteúdos precisarão ser revisados com mais detalhe antes das provas.

E como eram os detalhes do estudo?

Os oito universitários frequentavam um curso de pós-graduação e foram divididos de maneira aleatória em dois grupos: um no qual a forma de estudo seria por meio desses jogos, e o outro no qual os estudantes simplesmente se sentavam com um tutor para discutir os planos e os progressos em um projeto que eles deveriam realizar e entregar no fim do curso. Esses dois grupos foram ainda sub-divididos em duas equipes cada, possibilitando, assim, que uma equipe fizesse questões para a outra, na condição de jogo.  Uma característica importante é a de que o grupo de jogo era alternado com o de não jogo, ou seja, se em uma semana o Grupo 1 realizava o jogo e o Grupo 2 não, na semana subsequente o Grupo 2 realizaria o jogo e o Grupo 1 não. Isso possibilitou comparar os resultados obtidos nos testes aplicados após cada jogo. Esses testes, que serviram como forma de avaliação utilizada nesse estudo, eram realizados no início de cada aula, tinham a duração de 20 minutos, e cobriam o material trabalhado na semana anterior, valendo até oito pontos na nota.

Pelo menos quatro perguntas deveriam ser feitas para o jogo antes da aula, e o autor tinha que saber as respostas dessas perguntas, uma vez que ele era responsável por dizer se o aluno que respondeu deu uma resposta adequada àquela pergunta. O professor lia essas perguntas antes da aula, e selecionava algumas delas para o jogo. As questões dos testes posteriores, entretanto, eram formuladas antes do recebimento dessas questões formuladas pelos alunos. Cada aluno que respondesse corretamente a uma pergunta ganhava um ponto para sua equipe. Além disso, cada aluno do grupo “desafiado” tinha que responder pelo menos uma pergunta, fazendo com que todos colaborassem. Durante cada jogo, ambos os times se passavam, em algum momento, por “desafiadores”, fazendo perguntas, e por “desafiados”, respondendo-as. Cada membro do time vencedor ganhava quatro pontos na nota do curso, e, em caso de empate, ambos os times ganhavam o incentivo.

E aí, vai conversar com seu professor para implementar essa ideia em sua classe?

O estudo: Neef, N.A.; Perrin, C.J.; Haberlin, A.T.; & Rodrigues, L.C. (2011). Studying as fun and games: Effects on college students’ quizz performance. Journal of Applied Behavior Analysis, 44(4), 897-901.

Escrito por Táhcita M. Mizael, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSCar, bolsista da CAPES.

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