Salada de Frutas ou Bolo de Chocolate?? O que seu filho escolheria?

magali

Será que podemos ensinar as crianças a fazer escolhas alimentares mais saudáveis?

Na busca para responder a esta questão, as pesquisadoras Mariana Panosso e Silvia Regina de Souza, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), encontraram resultados que podem ser curiosos e instigar os pais que se preocupam com as escolhas alimentares de suas crianças, que escolhem “besteiras” para comer com muita frequência.

Uma das crianças que participou do estudo escolheu mais alimentos “saudáveis” ao final, se comparado ao início, e também reduziu sua escolha para outros grupos de alimentos, inclusive para alimentos de “calorias vazias” (as famosas “besteiras”). Duas crianças participaram deste estudo, e suas mães relataram que elas provaram novos alimentos espontaneamente, sem que isto fosse exigido. E então? Interessado em saber como fazer os seus “pequenos” quererem testar novos alimentos?

Bem, vamos então,detalhar um pouco o procedimento e as definições que são importantes para este estudo. Quem sabe estas informações podem te ajudar a pensar melhor sobre o assunto?

As pesquisadoras fizeram entrevistas com os pais de duas crianças entre 7 e 8 anos e pediram que eles preenchessem um diário com o registro das refeições de seus filhos durante três dias.

As crianças também avaliaram uma lista de 30 alimentos escolhendo “smiles”para indicar sua preferência. Ao escolher o smile sorrindo, as crianças indicavam que gostavam de um alimento; a escolha do smile neutro foi considerada como “gosto parcialmente”; e, o smile triste indicava que a criança não gostava do alimento.Em sequência, as crianças escolheram em uma lista de 30 figuras de alimentos, os 6 alimentos que elas comeriam. Este teste foi compreendido como um “teste de escolha alimentar”.

Após estas avaliações, as pesquisadoras conduziram uma intervenção em forma de jogo de tabuleiro, que era jogado em casa com cada participante. Este jogo consistia em colocar cartas com figuras de três grupos de alimentos pré-estabelecidos em três cestas de supermercado com cores diferentes e também, com figuras de mãos acenando com o polegar em forma de “positivo”. O objetivo era criar classes de estímulos equivalentes com relações arbitrárias entre os três conjuntos, por exemplo, que a cesta laranja ficasse relacionada à escolha de verduras/legumes/frutas e ao sinal de positivo com 3 polegares juntos.

Os 3 grupos de alimentos eram, os “saudáveis” (verduras/legumes/frutas), os “grãos” (pão/batata/arroz, etc.) e as “calorias vazias”. Cada grupo tinha 10 figuras de alimentos variados dentro destas categorias. Eram consideradas calorias vazias, aquelas calorias vindas dos açucares, gorduras e farinhas refinadas. As combinações foram: (1) grupo “saudáveis” – “3 polegares” – cesta de cor laranja;  (2) grupo “grãos” – “2 polegares” – cesta amarela; (3) grupo “calorias vazias” – “1 polegar” – cesta azul. De acordo com as regras do jogo, o participante receberia pontos para os emparelhamentos corretos.

Posteriormente, os três conjuntos (alimentos, cestas e acenos positivos) foram utilizados em outro jogo, mas agora, no computador. Nesse jogo,as crianças escolhiam, entre três possíveis comparações, qual estímulo correspondia ao modelo.E sim!!! As duas crianças apresentaram a relação entre os estímulos que haviam sido agrupados durante o jogo anterior, e também,algumas relações emergentes  derivadas,indicando a formação de classes de estímulos equivalentes: uma classe era composta pelos alimentos saudáveis, outra pelos grãos e outra pelas calorias vazias.

Além da figura, em cada carta que compunha o jogo havia frases que “qualificavam” os alimentos desenhados nelas, como por exemplo, “Que delícia!!! Você pediu para a mamãe fazer uma salada de frutas. Isso é muito saudável, pois tem muitas vitaminas e fibras. Ganhe 4 pontos” ou “O bolo que a mamãe fez estava uma delícia, mas você comeu demais. Isso não é nada bom para sua saúde, pois tem muita gordura e açúcar. Devolva 1 ficha para o jogo”, dentre outras. Além delas  terem qualificado os alimentos, também indicavam ganho ou perda de pontos, e podem ter funcionado como reforçadores específicos para o comportamento das crianças selecionarem os alimentos saudáveis com mais frequência, já que para eles, sempre havia uma quantidade maior de pontos.

Ao final do estudo, as pesquisadoras repetiram os testes iniciais de avaliação de 30 alimentos com o uso dos “smiles” (teste de preferência) e também, a escolha de 6 entre 30 alimentos de uma lista (teste de escolha alimentar). Os resultados neste teste indicaram algumas mudanças importantes no comportamento das crianças. Mais interessantes foram as mudanças no comportamento de escolher em ambiente natural, relatadas pelas mães: por exemplo, uma das crianças escolheu folhas verdes em uma de suas refeições, sem que os pais apresentassem qualquer exigência para isto.

As pesquisadoras analisaram que, embora sejam necessários mais estudos, esta pesquisa é um início importante na investigação de como modificar o comportamento alimentar associando alimentos a símbolos positivos. Uma boa notícia para todos que procuram ter uma alimentação mais saudável, não acham?

Quer saber mais? Leia:

Panosso, M. G. & Souza, S. R. (2014). Equivalência de estímulos: Efeitos de um jogo de tabuleiro sobre escolhas alimentares. Acta Comportamentalia, 22(3), 315-333.

Escrito por Cristiane Alves

Professora da Universidade Federal de Goiás/Campus Catalão

Aluna de Doutorado da Universidade Federal de São Carlos

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