Como fazer crianças comerem frutas e verduras? O exemplo do Food Dudes!

Pesquisadores mostram que é possível ensinar crianças a comer de forma saudável

verduras

“Meu filho não come frutas e verduras!” é uma frase muito comum que todos já devem ter ouvido. Mas por que será que é tão difícil fazer com que crianças comam tais alimentos? Bem, um possível entrave pode ser genético, uma vez que pesquisas apontam haver uma preferência inata do ser humano por doces e gorduras. Isto quer dizer que entre um pedaço de bolo de chocolate e uma maçã, digamos que o primeiro é bem mais atrativo! Ok, mas como bons analistas do comportamento sabemos a importância que o ambiente exerce neste processo. Em outras palavras: é necessário ensiná-las a comer frutas e verduras! É claro que não se trata de uma tarefa fácil (os pais que o digam!).

A boa notícia é que existem programas, normalmente conduzidos em escolas, que utilizam princípios de Análise de Comportamento para mudança de hábitos alimentares, como o Food Dudes (FD). Suas estratégias baseiam-se nos 3R’s: Role-modelling, Reward e Repeat tasting.

A modelação é trabalhada por meio de vídeos com personagens criados para o programa. De forma geral, são representados por jovens que comem frutas e verduras e lutam com os “malvados” que tentam roubar estes alimentos do planeta e substituí-los por guloseimas. Além disto, quando as crianças comem os alimentos do estudo recebem reforçadores, como materiais escolares. Este processo é repetido durante alguns dias. A soma destes elementos (modelação, reforço e repetição) tem dado bons resultados!

Mas será que este programa é efetivo para mudar os hábitos alimentares de crianças, mesmo as que estão acima do peso? Foi este o questionamento feito pelos pesquisadores italianos Giovambattista Presti, Silvia Cau, Annalisa Oppo e Paolo Moderato. Além disso, quiseram verificar a viabilidade do programa FD em outra língua, pois até então, só havia sido aplicado em países de língua inglesa.

Para investigar esta questão trabalharam com 672 crianças de três escolas primárias em duas cidades da Sicília. Os participantes foram distribuídos em dois grupos: intervenção e de comparação (controle). No primeiro, as crianças passavam por todas as etapas do programa FD e, no segundo, somente tinham acesso aos alimentos fornecidos pelo programa, não havendo nenhuma consequência para a resposta de comer ou não. É importante ressaltar que o lanche trazido de casa era mantido nas duas condições.

De maneira geral, o programa de intervenção consistia em oferecer frutas e verduras às crianças antes do lanche rotineiro, usando de reforçadores (lápis, borracha, estojos etc) cada vez que elas comessem nem que fosse uma pequena prova de ambos, nos primeiros 4 dias. Após esta fase, as crianças somente recebiam estes reforçadores se consumissem toda a porção oferecida. Os próprios professores treinados pelo programa é que faziam este trabalho. Os vídeos com episódios do FD eram exibidos para modelação e/ou era feita leitura de cartinhas FD de encorajamento. Tudo isto antes do lanche! Além, é claro, de haver o fornecimento de material aos pais sobre uma alimentação saudável e acompanhamento do que a criança consumia em casa. A ideia era fazer com que o aprendizado da escola se generalizasse para o ambiente familiar.  Na fase de manutenção não se oferecia mais as frutas e verduras providas pelo estudo, ficando somente os trazidos de casa. Os reforços materiais também eram retirados.

A variável dependente do estudo foi a quantidade de frutas e verduras trazida e consumida do lanche de casa, medida durante a fase de linha de base, final da intervenção e manutenção. Os resultados apontaram um aumento muito superior de consumo de frutas e verduras para o grupo de intervenção em relação ao grupo controle. O interessante é que não foi verificada diferença entre as crianças com peso normal e as acima do peso.

Isto mostra que a disponibilidade do alimento é necessária, mas não é suficiente! O “comer saudável” precisa ser devidamente estabelecido e o ambiente deve ter condições para que esse comportamento seja mantido. Estes resultados são bem animadores num momento em que a obesidade tem atingido altos índices no mundo. Pesquisas como esta são bem-vindas!

Quer saber mais? Leia:

Presti, G., Cau, S., Oppo, A. & Moderato, P. (2015). Increased Classroom Consumption of Home-Provided Fruits and Vegetables for Normal and Overweight Children: Results of the Food Dudes Program in Italy. Journal of Nutrition Education And Behavior, 47(4), 338-343.
Que conhecer mais sobre o Programa Food Dudes? Acesse:

http://www.fooddudes.co.uk

Escrito por Silvana Lopes dos Santos

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de São Carlos

Crédito foto: http://www.fooddudes.co.uk

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