Precisamos falar sobre… estupro!

henrique

Pouco a pouco o tema da violência sexual tem ganhado mais espaço e atenção da sociedade, especialmente a partir de casos emblemáticos ou eventos midiáticos, que acabam por repercutir em discussões, muitas vezes polêmicas e controversas, nas redes sociais. A subnotificação desse tipo de crime ainda é, contudo, uma realidade mundial. Entre as razões para esse fato, os movimentos que lutam pela erradicação desse tipo de violência indicam, como uma de suas grandes preocupações, a quantidade de opiniões desinformadas e atitudes marcadamente ofensivas que aparecem com frequência nas discussões sobre o tema. 

Sensíveis a essa questão, cientistas que tem se dedicado a estudar esse fenômeno têm observado que a maneira como um caso de violência sexual é descrito, e os termos usados para rotular o episódio estão intimamente relacionados com a percepção que vítimas, agressores e comunidade apresentam. De acordo com pesquisas da área, o não reconhecimento de casos de violência sexual como estupro¹ pode acarretar uma série de implicações: de modo geral, pessoas que não reconhecem sua experiência de violência como estupro tendem a falar menos com sua rede de apoio (família e amigos) sobre o caso, o que leva a uma menor probabilidade de conseguir apoio e acompanhamento e, consequentemente, a um aumento do risco do desenvolvimento de problemas psicológicos. Nesse sentido, acredita-se que o não reconhecimento da violência tem levado a uma subestimação do número de casos e de sua persistência. 

Além disso, outras pesquisas têm mostrado que as pessoas tendem minimizar as agressões e a “culpabilizar” mais as vítimas de episódios de violência sexual nos casos em que não o identificam como um estupro estereotípico (e.g. casos em que o agressor é um estranho, que utiliza de coerção física, e em que a vítima oferece clara resistência física). Atitudes nesse sentido inscrevem-se em um tipo de postura que tem sido chamada de “Aceitação do Mito do Estupro”, que consiste basicamente em um conjunto de argumentos e atitudes no sentido de atribuir a responsabilidade pela violência a alguma característica que pode ser ou não física, e que implica, geralmente, em julgamentos de cunho moral (muito provavelmente você já deve ter lido ou ouvido absurdos como: “Se ela realmente quisesse, poderia ter escapado”, ou “Mas também, vestida assim, estava pedindo pra acontecer algo”, ou ainda “Ela está exagerando, não foi tudo isso. Está mentindo só porque se arrependeu depois.”). 

Desse modo, os pesquisadores da área chamam atenção ao fato de que apesar de ser altamente recomendável o incentivo às vítimas para que relatem seus casos e busquem apoio, é preciso se atentar também ao modo como as pessoas que recebem esses relatos percebem a situação, pois a reação negativa à revelação dos casos tem se mostrado correlacionada com um aumento das chances de auto-culpabilização e de desenvolvimento de problemas psicológicos, bem como à diminuição da probabilidade de denúncia à polícia por parte das vítimas. 

Diante dessas considerações, a compreensão dos fatores que influenciam a rotulação de um caso de violência sexual como estupro e as interpretações que esse rótulo pode evocar mostram-se bastante relevantes para o entendimento do fenômeno, o combate à manutenção e legitimação desse tipo de violência, bem como o desenvolvimento de estratégias para aumentar o escopo e alcance do apoio às vítimas. Esse foi o mote para o trabalho de Sapir Sasson e Lisa A. Paul da Northern Illinois University, publicado na Behavior and Social Issues em 2014. Baseando-se nas discussões da literatura, os autores buscaram investigar quatro hipóteses: 1) as descrições mais próximas de um caso estereotípico de estupro teriam maior probabilidade de serem rotuladas como estupro; 2) quanto maior a empatia com as vítimas, a maior a rotulação das descrições como estupro; 3) quanto maior empatia pelo agressor e “Aceitação do Mito do Estupro”, menor probabilidade de nomear as descrições estupro; e por fim, 4) quanto maior a rotulação das descrições como estupro, maior atribuição de responsabilidade ao agressor.

Por meio de um questionário hospedado em uma página na internet, os pesquisadores analisaram as respostas de 379 participantes, de ambos os sexos, maiores de dezoito anos. Antes de responderem às questões, os participantes liam a descrição de um caso hipotético de violência sexual. Foram usadas 16 descrições diferentes. Todas elas descreviam um caso de estupro, mas variavam em termos das características do episódio (agressor ser conhecido ou desconhecido da vítima; agressor usar ou não de força física; vítima oferecer ou não resistência). Após a leitura, os participantes deveriam indicar qual termo usariam para rotular o episódio descrito, bem como a quem atribuíam a responsabilidade pelo caso. Em seguida, passavam a responder às perguntas do questionário elaborado a partir de instrumentos indicados na literatura para as variáveis elencadas nas hipóteses (atribuição de responsabilidade pelo episódio; Aceitação de Mitos do Estupro; empatia com a vítima de estupro; empatia com o perpetrador do estupro; e questões com respeito ao histórico de vitimização, ou contato com vítimas de violência sexual). O diferencial desse estudo, como apontam os autores, foi o fato de tomar uma amostra demograficamente representativa, que incluía vítimas e não vítimas, avançando também na compreensão da percepção não só de vítimas (comumente o foco das pesquisas anteriores), mas também de potenciais receptores de relatos.

Os resultados obtidos não corroboraram a primeira hipótese, ou seja, as diferenças em aspectos relacionados a uma descrição mais ou menos estereotípica (menção do uso de força física vs. não menção; agressor ser um desconhecido vs. ser um conhecido) não implicaram em uma diferença significativa na rotulação como estupro ou não. Como possibilidade para explicar esse resultado, os autores consideram a mudança de compreensão ou de elementos atribuídos a uma situação estereotípica de estupro, fruto do maior debate sobre o tema atualmente. 

Já as demais hipóteses foram corroboradas. Consistentemente com a segunda e terceira hipóteses, a rotulação da descrição como estupro esteve correlacionada com maior pontuação na escala de empatia com as vítimas, e menor pontuação nas escalas de empatia com os agressores e de “Aceitação dos Mitos do Estupro”. Em relação à quarta hipótese, os participantes que rotularam a descrição como estupro apresentaram menor probabilidade de atribuir responsabilidade às vítimas que aqueles que não identificaram as descrições como estupro. 

Os efeitos do uso de determinados termos em detrimento de outros (e.g. rotular o episódio como estupro ou abuso) para a compreensão e atribuição da responsabilidade a agressores ou vítimas trata-se de um achado relativamente novo, e bastante relevante, em vista do impacto que isso mostra ter na percepção dos casos, especialmente nas situações em que os termos usados tendem a “culpabilizar” as vítimas. Os resultados encontrados nesse estudo somam-se às demais investigações na área na construção de uma compreensão mais acurada dos fatores envolvidos no modo como a violência sexual é percebida e descrita. Como apontam Sasson e Paul (2014), “Um melhor entendimento dos fatores que podem influenciar a rotulação de um ato de violência sexual é importante para melhorar as respostas às vítimas e expandir o conhecimento disponível sobre o escopo da violência sexual”.

Créditos da imagem:

(https://www.facebook.com/DontTellMeWhatToWeartellThemNotToRape/photos/a.309569289154880.66174.309566345821841/309569309154878/?type=3&theater

Escrito por Henrique Pompermaier.

O Comportamento Verbal e a descrição “Ma-tech-mática” da “Matemágica”

van gogh

Descrição comportamental do papel científico-tecnológico da Matemática

Ainda me lembro: eu pequena, deitada no quintal olhando o céu. Ficar deitada ali confundia meu cérebro… Eu, que sempre tive medo de altura, sentia um frio na barriga como se fosse despencar naquela imensidão. Encantada, eu me perguntava: por que eu não caio? A partir daí surgiram outras indagações sobre o infinito, o universo… No extremo oposto do meu fascínio com as questões do universo, estava meu desgosto pela matemática. Decidi que não gostava de matemática depois da nota da minha primeira prova. Aquele foi o fim da minha boa relação com os números. Desde então, sempre me esquivei deles.

Dando um fast forward na história, recentemente eu havia visto um artigo do M. Jackson Marr, pesquisador da Georgia Tech sobre matemática como comportamento verbal. Quando vi o termo “comportamento verbal” (algo pelo qual tenho certo apreço e familiaridade) decidi me engajar em uma espécie de “dessensibilização sistemática” e, hesitantemente, resolvi saber do que se tratava o texto.

Desde o início, Marr apresenta duas questões principais que norteiam seu artigo: como o conhecimento matemático surgiu e evoluiu, e como é possível captar e predizer fenômenos naturais por meio dessa forma especial de falar sobre eles. Apesar de não haver consenso na definição de Matemática, o autor adota uma perspectiva bastante vaga, mas aparentemente adequada ao que ele pretende fazer: a visão da Matemática como “ciência dos padrões”. Na realidade, a origem de todas as ciências está na identificação de padrões na Natureza, com vistas a uma subsequente previsão. Nesse contexto, a Matemática se apresenta como uma ferramenta preciosa.

Como Analistas do Comportamento, o modo mais lógico de buscar as respostas para as questões colocadas nesse âmbito seria investigar o comportamento do matemático. E como ponto de partida para isso, o autor levanta dois aspectos cruciais para o entendimento do comportamento desse profissional: o critério de verdade utilizado e a natureza dos objetos que ele manipula.

Diante da pluralidade de escolas de pensamento que versam sobre o tema, ele começa examinando o platonismo, que vê o matemático como um descobridor de uma realidade externa de fatos matemáticos. Os objetos matemáticos seriam entidades imutáveis, independentes de tempo e espaço. De acordo com os platonistas, quando um teorema é provado, o matemático apenas foi capaz de fazer notações apropriadas de suas próprias observações, uma visão que consideramos pouco científica hoje em dia por não explicitar como o matemático faz tudo isso e por descrever a natureza dos fatos matemáticos de uma forma mágica. Em contraponto ao platonismo, Marr também apresenta o empirismo, que considera a Natureza como criadora de padrões que os cientistas capturam por meio da construção de instrumentos para medi-los e escrevê-los. Assim, cientistas são capazes de criar modelos matemáticos que descrevem contingências da Natureza e predizem fenômenos previamente não observados. A empreitada do empirista seria mais tecnológica no sentido de desenvolver ferramentas para descrever as contingências. Fazendo um jogo de palavras entre as duas visões, teríamos a “Matemágica” dos platonistas opondo-se à “Ma-tech-mática” dos empiristas.

A visão da “Ma-tech-mática” é a adotada por Marr por ser mais científica e nos proporcionar um ponto de partida para as análises que ele faz. Ele defende a posição de que se hoje sabemos tanto sobre a Natureza por falarmos dela, é por que ela nos ensinou a falar. Isto é, só conseguimos descrever as contingências adequadamente em termos matemáticos por que as contingências foram efetivas em modelar em nós esse tipo de descrição. Por exemplo, a comunidade científica modela relatos e/ou descrições que sejam eficazes, ou seja, que estejam sob um controle de estímulos precisos, em que as propriedades de um objeto sejam identificadas ou caracterizadas, de forma a permitir uma ação efetiva sobre elas.

De fato, a Matemática surgiu para atender demandas sociais e comerciais. Rudimentos do que hoje conhecemos como matemática surgiram de necessidades sociais, tais como medir terras, construir abrigos, navegar e conduzir rituais. No entanto, enquanto resolviam essas demandas, matemáticos se embrenhavam em um território desconhecido, e por muitas vezes, mantinham-se trabalhando por longos períodos sem vislumbrar qualquer aplicação imediata do seu trabalho. As consequências mantenedoras desse comportamento eram puramente verbais. Em oposição ao trabalho matemático que vislumbra aplicações imediatas, o desenvolvimento de teoremas, teorias, equações e afins sem um propósito conhecido é visto como um jogo matemático.

O jogo matemático aparece como a condição perfeita para a análise da Matemática como Comportamento Verbal. Marr aborda os operantes verbais (mais especificamente o intraverbal e o autoclítico) e as regras no desenvolvimento de expressões matemáticas e, consequentemente, seu uso na resolução de problemas. Ele ainda descreve a criação de classes de respostas generalizadas a partir das estratégias usadas nesse contexto, e sua posterior utilização em novos problemas. Por meio da trajetória acima descrita, e do desenvolvimento de um repertório comportamental de unidades complexas e flexíveis, Marr chega à descrição do que seria o apogeu do comportamento matemático: o uso da intuição na resolução de problemas.

A forma como Jack Marr aborda o comportamento do matemático na construção de seu conhecimento sobre o mundo é fascinante, ainda mais quando conseguimos ter acesso a um possível exemplo disso. Recentemente, após ter lido o artigo, vi um vídeo que mostrava como o quadro do Van Gogh “Noite Estrelada” tem uma relação inusitada com a matemática: pesquisadores que analisavam fotos de galáxias distantes observaram como os padrões visuais encontrados se assemelhavam àquele visto na pintura. Analisando ainda mais de perto como as pinceladas pareciam capturar o movimento da luz e formavam aquelas estrelas que pareciam se dissolver no céu, perceberam uma correspondência entre as formas e um fenômeno intrigante da natureza. O fluxo turbulento, estudado pela mecânica dos fluidos, é tão complexo que não tinha uma descrição matemática até meados do século passado. Foi então que um matemático russo chamado Andrei Kolmogorov criou uma equação que descreveu o fenômeno, ainda que não fosse perfeitamente apropriada. A dinâmica dos fluidos, subordinada à Teoria das Variáveis Complexas, tem sua origem relacionada ao surgimento da demanda comercial de medição de volume.

Quando os pesquisadores voltaram-se à interação entre as estrelas e o céu na pintura de Van Gogh, medindo os padrões de pinceladas por meio da luminescência entre os pixels da pintura, descobriram que eles poderiam ser descritos por meio da equação de Kolmogorov! Outro dado chocante é que apenas as pinturas de Van Gogh realizadas em período de surto psicótico apresentavam esse padrão. Isso não acontece com pinturas de períodos mais calmos, assim como com pinturas de outros artistas que aparentemente teriam esses mesmos padrões (tais como “O Grito” de Munch).

Retomando o artigo, a descrição de Marr nos permite acompanhar, por uma perspectiva comportamental, como teria ocorrido a evolução da Matemática, partindo de uma demanda comercial surgida há séculos até chegar à produção de uma descrição matemática do fluxo turbulento aplicada aos padrões visuais de uma obra de arte. Encerro aqui meu post, generalizando agora meu fascínio pelo céu à Matemática, que “magicamente” traduz coisas tão distintas como a arte, o universo e a filosofia em uma linguagem numérica.

Para saber mais:

Marr, M. J. (2015). Mathematics as verbal behavior. Behavioural Processes, 113, 75-80.

A matemática inesperada de “A noite estrelada” de Van Gogh: https://www.youtube.com/watch?v=PMerSm2ToFY,

Post escrito por Laura Zamot Rabelo

Departamento de Psicologia (UFSCar)/Centro Universitário de Araraquara (UNIARA)

O experimentador que treinou o supervisor, que treinou o treinador, que treinou o rato, que descobriu a mina!

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Você, que acompanha o blog deve estar lembrado de um post em que contamos sobre o treino de ratinhos para identificar material explosivo de cápsulas de minas terrestres em locais onde ocorreram guerras na África (se não leu, vale a pena conferir o post1). Os resultados foram muito positivos, já que o trabalho dos ratinhos ajudou a limpar diversas áreas, que puderam ter outros usos. Mas será que é fácil fazer esse treinamento? Como capacitar esses treinadores? No post de hoje vamos contar sobre uma pesquisa em que o objetivo foi capacitar pessoas para treinar os nossos amigos roedores!

Amy Durgin, Amanda Mahoney, Christophe Cox, Bart J. Weetjens e Alan Poling, relatam que o objetivo da intervenção era aumentar a efetividade e consistência do treinamento dos animais, assim como elaborar técnicas que aumentassem sua qualidade, já que a quantidade de dias para esses treinamentos variava muito.

Participaram da intervenção três treinadores e três supervisores, divididos em duplas formadas por um supervisor e um treinador. O primeiro passo foi observar como se dava o treino dos animais. A partir dessa observação, foi criado um manual de todos os passos, com descrições detalhadas. Essas descrições incluíam o comportamento do treinador e as respostas dos animais que se seguiriam ao comportamento do treinador. O manual foi usado pelos supervisores para avaliar a precisão do comportamento do rato e, com isso, a eficácia do comportamento do treinador. Observe então que, apesar de a medida ser o comportamento do rato, o comportamento foco de intervenção era o do supervisor.

O que os experimentadores fizeram foi apresentar para os supervisores instruções claras sobre as tarefas (descrições completas) e sobre como fornecer feedbacks imediatos e precisos a respeito da performance dos empregados, descrevendo o acerto ou o erro. No caso do erro, era feita a descrição do comportamento desejado para o treinador. Por exemplo, uma das coisas que o treinador deveria fazer era apresentar um click (reforçador condicionado), quando o animal tocasse o alvo. Um feedback de erro seria “você apresentou um click antes do rato tocar o alvo”. Em seguida o supervisor diria, “Da próxima vez espere até o rato tocar o alvo e depois apresente o click o mais rápido possível”. Durante as sessões os supervisores apresentavam aos treinadores dicas sobre o trabalho e feedback imediato de acerto e erro. Enquanto isso os experimentadores estavam atentos ao trabalho do supervisor e interrompiam sempre que necessário, dando modelo ou indicando como realizar corretamente as tarefas.

Foram registrados, por um observador, a quantidade de passos treinados corretamente. Os resultados mostraram aumento na quantidade de passos treinados corretamente com o uso do manual e do fornecimento de feedback. A melhora na performance se manteve nas sessões sem treinamento e na sessão realizada após uma semana. Foi possível também observar generalização entre settings (no campo aberto).

Esse experimento mostra como é possível utilizar controles experimentais de pesquisas científicas, com objetivo de produzir intervenções como a capacitação de recursos humanos. Além disso, é interessante notar, como já foi comentado, que uma vez que o que se pretendia era melhorar a performance dos ratinhos e treina-los em menor tempo, a medida para avaliar a eficácia da capacitação de recursos humanos foi exatamente o comportamento dos roedores!

 

Quer saber mais? Confira o artigo completo: Durgin, A., Mahoney, A., Cox, C., Weetjens, B. J. & Poling, A. (2014) Using Task Clarification and Feedback Training to Improve Staff Performance in an East African Nongovernmental Organization.  Journal of Organizational Behavior Management, 34(2), 122-143. DOI: 10.1080/01608061.2014.914007

 

 

1 https://boletimbehaviorista.wordpress.com/2014/07/10/analise-do-comportamento-em-campo-minado/

 

Postado por Natalia M. Aggio, docente do departamento de Psicologia na Universidade Federal de São Carlos.